Encontrar um seguro para um motociclo nem sempre é fácil. Poder-se-á mesmo dizer que é bastante complicado, seja sob que condições for. E mesmo quando se consegue um seguro moto, o mais provável é que o valor seja quase proibitivo ou, no mínimo, muito pouco atraente. No final, acaba por ser uma árdua tarefa a procura de uma empresa que lhe faça um seguro moto, mais ainda uma entidade que, além de lho conceder, lhe ofereça um preço razoável pelas condições concedidas.

Um dos maiores entraves à contratação de um seguro para a sua moto, e um dos argumentos mais usados pelas empresas, é a natureza dos riscos envolvidos. Em termos práticos, a possibilidade de ocorrências é mais de 60 por cento cento superior à possibilidade de ocorrências nos automóveis, ainda que a maioria dos incidentes seja de danos ínfimos e, na maioria dos casos, sem envolvimento de terceiros, ao contrário do que acontece nos carros. Ainda assim, o resultado destas “menos-valias” dos veículos duas rodas são as controladíssimas e apertadas condições de subscrição dos seguros.

Além de todas as dificuldades em conseguir uma entidade que consinta a assinatura de um seguro moto, quando existe uma empresa que acaba por fazer um seguro, a maioria destes acordos é somente de responsabilidade civil. Ou seja, a cobertura é limitada a perdas materiais (600 mil euros) e corporais (1.2 milhões de euros), isto porque estes valores são os mínimos permitidos por lei, e muitas vezes os únicos que as seguradoras oferecem aos seus clientes. Como estas são as quantias mínimas, a generalidade das empresas não vê vantagens em oferecer melhor, até porque a concorrência assim não o exige.

As razões para as agravantes do prémio de seguro moto não se limitam à prevalência para os acidentes, mas a toda uma série de factos minuciosamente contabilizados no preço a pagar à entidade seguradora. Um dos factores que faz subir a quantia a despender é a idade, que representa uma elevada variação consoante a faixa etária, bem como o modelo ou a cilindrada do veículo, que podem aumentar substancialmente o de si já exagerado valor do seguro.

Segundo um estudo efectuado pela Associação de Defesa do Consumidor (DECO), apenas três seguradoras, de um total de 11, concederam o seguro moto a um cliente, sem impor restrições de natureza alguma. Todas as restantes baseiam a sua concessão em duas condições: o cadastro do condutor não pode ter mácula e, acima de tudo, é necessário que essa a pessoa já seja cliente da seguradora e, de preferência, que o cliente tenha mais de 25 anos.

Apesar de ser uma “missão quase impossível” contratar um seguro moto, de acordo com a própria definição da DECO, há algumas vantagens oferecidas pelas entidades na altura de fazer o contrato. No entanto, estas atenuantes apenas surgem quando já existem contrapartidas para a seguradora. Mais concretamente, o preço poderá baixar se o cliente já tiver vários serviços contratados à empresa ou se a moto tiver sido comprada com recurso ao crédito daquela instituição. Nestes casos, o valor do prémio não só desce, como são facultadas coberturas adicionais, raramente propostas a quem procura um seguro moto.

Exposta esta informação, o conselho que se dá na hora de escolher um seguro moto é, como na procura de qualquer serviço, estudar todas as propostas antes de tomar uma decisão. Peça orçamentos, faça simulações, solicite apoio de profissionais e ouça a opinião de amigos ou conhecidos que já tenham um seguro moto. Não tome por definitiva uma só proposta, mesmo que esta seja boa, porque poderá sempre deslocar-se a outra entidade e pedir uma contra-proposta. Se já detiver diversos serviços numa empresa, informe-se primeiro nesta sobre as suas condições e a possibilidades de aderir ao seguro moto da mesma. Como a própria DECO afirma, é muitas vezes desta última forma que se conseguem os melhores preços, as maiores e mais completas coberturas. Por isso, não se faça tímido, nem tome uma decisão “a quente”. Pese todas as vantagens e desvantagens, coloque as propostas lado-a-lado e opte por aquela que considere a mais adequada para si, de acordo com aquilo que pretende e o que lhe é oferecido, sem nunca esquecer um importante factor: o preço.

 

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